Os melhores e piores álbuns do Garbage

A banda estadunidense Garbage fará turnê no Brasil em março e a lista a seguir apresenta todos os seus sete álbuns de estúdio organizados em ordem qualitativa. O grupo, fundado por Butch Vig e Steve Maker recrutou Duke Erickson, companheiro de Vig na banda Spooner, se tornou mundialmente conhecido por causa da escolha pela vocalista Shirley Manson que adicionou um sotaque ameaçador, sensual que, somado ao rock eletrônico, angariou milhares de fãs ao redor do globo.

Not Your Kind of People (2012): Após sete anos anos desde seu último álbum, Bleed Like Me, a impressão ao lançar o 5º trabalho do catálogo foi de estar com pressa e isso acarretou em erro de qualidade com músicas que fugiram do padrão habitual. A música título tem potencial para ser exuberante mas é lenta demais, Big Bright tem vibração eletrônica mas passa despercebido, e Blood for Poppies é uma tentativa de funk sem sucesso. Os pontos positivos do álbum são Battle in Me e Control que resgatam glórias do passado mas são insuficientes para elevar o nível como um todo.

Bleed Like Me (2005): Em um período em que o garage rock e o indie estavam novamente em alta, aumentar o volume das guitarras fez todo o sentido e foi uma escolha muito feliz. O baterista do Foo Fighters, Dave Grohl, gravou a primeira música e Run Baby Run tem um refrão muito cativante e uma pitada de pós punk. Uma canção que merece menção é Why Do You Love Me que fez muito sucesso na Inglaterra e países vizinhos mas as faixas seguintes são mais medícores e passam despercebidas. Neste trabalho o que faltou foi consistência.

No Gods No Masters (2021): O álbum mais recente fica na parte de baixo da lista por falta de inovação pois se espera sempre mais de uma banda com membros irrefutavelmente talentosos e com uma longa bagagem musical. A música Uncomfortably Me apresenta sintetizadores incríveis que impulsionam a canção de forma única, Flipping the Bird é uma faixa pop com baixo positivamente inspirado em New Order e as canções Godhead e The Men Who Rule the World também valem muito a pena.

4º Beautiful Garbage (2001): Esse é um álbum que divide a opinião dos críticos musicais e em revistas especializadas do ramo. Na época do lançamento, parte dos jornalistas afirmou que o quarteto foi longe demais por beber muito da fonte do eletrônico, do pop e, consequentemente, abandonar suas raízes no rock. A música The World is Not Enough foi utilizada como tema do filme do personagem fictício James Bond lançado dois anos antes e isso ajudou muito a aumentar o alcance e o número de vendas desse trabalho. Esse de fato é o álbum mais comercial do Garbage mas isso não quer dizer que suas músicas não sejam boas. Prova disso é que as músicas Androgyny, Breaking the Girl, Cherry Lips e Shut Your Mouth, foram lançadas como single e são ótimas, fortes sem contar que So Like a Rose é uma balada shoegaze tão marcante como qualquer música do catálogo da banda.

3° Strange Little Birds (2016): O sexto álbum de estúdio é um caso a ser estudados por cientistas pois se trata do trabalho com menor colocação nas paradas na Inglaterra e demais países mas se trata de uma obra muito interessante com um aspecto mais selvagem, sombrio e taciturno se comparado aos outros ítens do catálogo. A primeira faixa, Sometimes, é um pé no peito e uma das música mais perturbadoras da discografia do Garbage com sintetizadores que penetram a mente e a voz de Shirley soando de modo como se ela estivesse de coração e furiosa ao mesmo tempo. De maneira a não apenas copiar o estilo de Patti Smith e The Cure, as músicas Empty e Blackout são exemplos de sua potência vocal. Dito isso, Strange Little Birds é um álbum muito subestimado e que merece mais atenção e boa vontade do que recebe nos dias atuais.

Version 2.0 (1998): No cinema existe a maldição do filme sequência que além de não superar seu antecessor normalmente decepciona muito. Esse não é o caso do segundo álbum de estúdio do Garbage que foi tão bem sucedido que rendeu ao quarteto convite para tocar na edição de 1998 do festival Reading, um dos mais famosos e com maior audiência do mundo. Esse foi o único trabalho que chegou ao primeiro lugar das paradas na Inglaterra e países vizinhos. O gênero musical escolhido foi semelhante ao de seu antecessor, mas com um refinamento um pouco maior. Há uso de música eletrônica misturada com rock menos cru que o trabalho de estreia. As canções I Think I’m Paranoid, Push It, Special e When I Grow Up são de alta qualidade e foram listadas entre as 10 músicas mais ouvidas do país e são consideradas pela crítica musical as canções mais importantes do catálogo da banda. Esse trabalho é um sucesso em todos os níveis e quesitos, tanto quanto a criatividade quanto ao sucesso comercial.

Garbage (1995): Na primeira metade dos anos 90 nenhuma banda era parecida com o Garbage que ofereceu uma mistura muito criativa entre grupos tão diferentes como Massive Attack, Nine Inch Nails, Portishead, Smashing Pumpkins, só para citar alguns. Há uma lista consideravelmente grande de artistas e bandas que lançam em seus primeiros álbuns de estúdio seus melhores trabalhos que os definem por toda sua trajetória musical, mas esse não é o caso do quarteto uma vez que Butch Vig e companhia escaparam com sucesso da sombra de um álbum que até os dias atuais soa como um conjunto de sucessos décadas após seu nascimento. As melhores músicas são I’m Only Happy When it Rains, Queer, Stupid Girl e Vow ao passo que Supervixen merece menção honrosa por causa do baixo. O capricho desse álbum torna difícil encontrar um álbum de estreia de uma banda tão poderoso lançado nessa década.

By Thiago Malinowski