The Cult retorna à Curitiba e apresenta ótimo show para um público desqualificado

A banda inglesa The Cult retornou à Curitiba e se apresentou anteontem, dia 25 de fevereiro, na Live Curitiba, uma das maiores e melhores casas de show da capital paranaense, para divulgar seu sétimo e mais recente álbum de estúdio, Under the Midnight Sun, lançado pela gravadora Black Hill há três anos.

A banda estadunidense Baroness subiu ao palco cerca de 30 minutos após o previsto e no começo de sua apresentação causou certa estranheza à maioria do público presente por causa de sua proposta musical. O grupo transita por gêneros musicais mais desconhecidos do grande público como o metal progressivo, sludge metal, stoner e por isso constrói uma identidade ímpar que reflete em um show diferente e positivamente inesperado. O grupo retornou ao Brasil após quase seis anos, pois em 2019 a produtora do evento, Liberation Music Company, trouxe o quarteto pela primeira vez para o Brasil para tocar na capital paulista. A escolha do setlist se deu da maneira mais sábia possível pois a banda interpretou ao vivo músicas de todos os seus seis álbuns de estúdio para agradar aos fãs presentes e também para aproveitar a oportunidade de tocar para um público maior e que em condições convencionais não ouviria suas canções. Um ponto que merece menção é que as luzes direcionadas ao palco mudavam de cor a cada música e de acordo com seu respectivo álbum de estúdio.

  • 01 Last Word
  • 02 Under the Wheel
  • 03 A Horse Called Golgotha
  • 04 March to the Sea
  • 05 Shock Me
  • 06 Chlorine & Wine
  • 07 Swollen and Halo
  • 08 Tourniquet
  • 09 Isak
  • 10 Take My Bones Away

O show da banda The Cult começou logo após às dez horas e a primeira música, Ride of the Valkyries, serviu de introdução para gerar ainda mais expectativa no público presente. O entusiasmo da plateia durou apenas durante a interpretação de In the Clouds, Rise e Wild Flower, uma vez que a grande maioria das pessoas sacou seu celular do bolso para filmar a performance do quarteto. A banda fez uma escolha muito feliz ao incluir a música Mirror e outras canções menos conhecidas mas de alta qualidade. O público presente demonstrou maior preocupação em gravar o show no celular do que propriamente dançar e ouvir as músicas. Prova disso é que o compositor, fundador e vocalista da banda, Ian Astbury pediu várias vezes durante o show pedindo mais aplausos e resposta dos presentes.

Se por um lado o público decepcionou, o vocalista voltou a cantar muito bem como nos anos 80 e 90 após passar um longo período com a voz fragilizada por quase dez anos. O guitarrista Billy Duff, membro da formação original, continua a extrair um som muito característico de seu instrumento. Para essa turnê, o The Cult contou com a contribuição do baixista Charlie Jones (que já fez turnê com artistas e bandas como Crybaby, David Rhodes, Goldfrapp, Robert Plant, Siouxsie Sioux, entre outros) antes de acompanhar o The Cult de 2022 em diante e também do baterista John Tempesta que possui em seu currículo contribuições em álbuns de estúdio de bandas como Emphatic, Exodus, Helmet, Rob Zombie, Testament, White Zombie, Scum Of The Earth, entre outros.

Nota-se que não há mais uma química entre os membros principais, Billy Duffy e Ian Astbury, e que os dois praticamente não se comunicam em cima do palco. Esse fato provavelmente se dá pela briga que ambos tiveram quando o The Cult tocou no Brasil em 1984 e que culminou com o fim do grupo antes de retornar ao seu país de origem. Essa desavença felizmente não comprometeu a performance da banda como um todo. O que comprometeu a apresentação foi o público presente desconsiderou as músicas mais novas dos álbuns de estúdio mais recentes, mesmo com a alta qualidade de sua produção, com uma abordagem mais nova, experimental e que demonstram uma evolução positiva da banda. O grupo não parou no tempo com os hits lançados nos anos 80 e que viraram videoclipes, não abriu mão de sua ambição musical e continuou a demonstrar a sua criatividade e relevância musicais mas os fãs preferem vivenciar um saudosismo que remete a um tempo que não volta mais e de uma dependência emocional de uma memória afetiva que impede a parte dos fãs do The Cult a apreciar um momento diferente de sua trajetória musical.

  • 01 Ride of the Valkyries
  • 02 In the Clouds
  • 03 Wild Flower
  • 04 Star
  • 05 The Witch
  • 06 Mirror
  • 07 War (The Process)
  • 08 Resurrection Joe
  • 09 Edie (Ciao Baby)
  • 10 Revolution
  • 11 Sweet Soul Sister
  • 12 Lucifer
  • 13 Rain
  • 14 Spiritwalker
  • 15 Fire Woman
  • 16 Brother Wolf, Sister Moon
  • 17 She Sells Sanctuary
  • 18 Love Removal Machine
By Thiago Malinowski