Slaughter To Prevail promove abate com sucesso em Curitiba

A banda russa Slaughter To Prevail se apresentou ontem, dia 27 de março, no Tork N’ Roll em Curitiba, uma das maiores e melhores casas de show da capital paranaense. O grupo está em turnê pelo Brasil para divulgar seu próximo e terceiro álbum de estúdio, Grizzly, que será lançado pela gravadora Sumerian no mês que vem.

O grupo curitibano Humanal subiu ao palco às 20:00 conforme anunciado pela produção do evento. A vocalista Tati Klingel pois começou a performance ao sair do camarim em direção ao proscênio com berros durante todo o percurso. Essa foi uma forma muito eficaz e sábia de chamar a atenção do público presente e uma ótima oportunidade para divulgar seu trabalho, pois naquele momento a pista do Tork já estava com um número considerável de pessoas. A proposta musical do quarteto traz elementos do death metal, transição de notas graves para agudas e a poderosa e única performance de sua vocalista. Além de segurar todas as notas, Tati Klingen dança e interage com o público durante toda a interpretação. Entre as músicas escolhidas, Apathy e Guilt foram lançadas no formato EP há três anos, Echoes Of Ether e Vanity são os singles mais recentes, respectivamente lançados  no ano passado e no dia 7 deste mês. O momento mais especial e inesperado de toda a apresentação foi a participação de Rossana Mirabal Mora, dançarina venezuelana do grupo Underworld Fusion Dance que está na ativa desde 2018 na capital paranaense. Rossana foi a atriz principal do videoclipe da música Echoes Of Ether, disponibilizado no canal oficial da banda no YouTube no dia primeiro de novembro do ano passado. A resposta do público foi muito positiva pois a performance foi muito criativa e de encher os olhos. Há um bom tempo não se via uma banda curitibana abrir o show de um grande nome internacional capaz de atrair tanta atenção do público e fazer com que o mesmo interagisse com os artistas. A produtora do evento acertou em cheio na escolha do nome, seja pela coerência com o conjunto musical russo seja pela qualidade do quarteto curitibano.

  • 01 Apathy
  • 02 Addiction
  • 03 Vanity
  • 04 Echoes Of Ether
  • 05 Guilt

André Florão – Bateria

André Lazzaretti – Guitarra
Maurício Escher – Baixo
Tati Klingel – Voz

Pouco antes das nove horas noturnas, ouviu-se as primeiras notas de uma música desconhecida. Trata-se da canção folclórica Black Raven, uma das mais importantes da cultura russa. Essa melopeia conta a história de um soldado à beira da morte que se depara com um corvo negro e pede para que leve sua carta de adeus para sua esposa. Sua letra explora temas como amor, dever de proteger seu país, a morte e é profundamente enraizada nas tradições folclóricas cossacas e russas e que reflete um senso de aceitação e resiliência diante da morte. A disparidade entre melodias dessa música introdutória e a proposta musical do Slaughter To Prevail calcada em um gênero musical de origem ocidental cria uma atmosfera muito criativa e melancólica e deixa claro que a banda se preocupa muito com sua identidade originária. Os músicos Dima Mamedov (guitarra), Evgeny Novikov (bateria), Jack Simmons (guitarra), Mike Petrov (baixo) subiram ao palco e foram acompanhados por Aleksandr Shikolai, nome de batismo do vocalista Alex Terrible, um dos responsáveis por ajudar a banda a chegar no patamar em que está após viralizar em diversos vídeos em que aparece abraçando um urso e também em lutas de boxe. Todos os membros usam máscaras que acrescentam valor artístico no quesito estética e que são marca registrada do grupo. O público presente começou a dançar já na primeira música, Bonebreaker, e aumentou o ritmo em Baba Yaga que aborda em suas estrofes e versos entidade mitológica da cultura eslava. Em menos de quinze minutos é possível concluir que a expectativa criada para o show foi superada com a performance do quarteto e sua proposta musical. Alex Terrible e seus colegas utilizam técnicas frequentes em bandas do mesmo gênero musical: gritos das cordas vocais que envolvem forçar o ar por meio da laringe, fazendo com que as cordas vocais falsas vibrem e criem um som distorcido e estrondoso; técnica vocal agressiva, áspera, que produz som de pânico combinado com a compressão e sopro das pregas vocais verdadeiras e as vezes as pregas vocais falsas; e a técnica popularmente conhecida como “uivado da morte”, habilidade vocal áspera, baixa ininteligível e marca característica do gênero musical em questão. Tudo isso somado as notas baixas no baixo e na guitarra e a bateria pesada e rápida que levou os fãs a se movimentar na pista durante todo o show, seja no circle pit ou no wall of death que se formaria durante a interpretação de Bratva, a sexta canção da noite. Como novidade, a banda interpretou a música Kochei, interpretada ao vivo na edição deste ano do festival Knotfest que aconteceu na Austrália no dia 27 do mês passado. O auge de toda a apresentação foi a interpretação da música Viking que possui uma introdução cantada em russo e o restante em inglês. Em determinado momento a banda não tocou os instrumentos para que o vocalista gritasse por alguns segundos como já esperado. Sua voz foi ouvida por toda a pista de dança, no mezanino e até próximo ao bar e às lanchonetes da casa de espetáculos. O período de maior interação entre grupo e público de todo o show foi em Bratva, ocasião em que o vocalista incentivou aos presentes que abrissem um espaço na pista e montassem o famoso muro da morte, tradicional dança que ocorre em shows de gêneros musicais mais extremos. Já na parte final do show, durante Kid Of Darkness, o dono do microfone pediu ao público o movimento de abaixar e pular em determinado momento da música. Essa ferramenta, ainda que clichê, é divertida e fez com que os fãs aproveitassem aquele momento e guardassem os 60 minutos de show para sempre em suas memórias. O saldo do evento foi muito positivo. Os espetáculos musicais começaram e terminaram com pontualidade, o ambiente estava arejado, fresco, a qualidade do som ótima em todas as partes do Tork N’ Roll apenas com a ressalva que, por escolha do Slaughter To Prevail, o grave do pedal duplo e do baixo estava muito alto.

  • 01 Bonebreaker
  • 02 Baba Yaga
  • 03 Conflict
  • 04 Koschei
  • 05 Viking
  • 06 Bratva
  • 07 Grizzly
  • 08 Hell
  • 09 1984
  • 10 I Killed A Man
  • 11 Behelit
  • 12 Kid Of Darkness
  • 13 Demolisher

Alex Terrible – Voz

Dmitry Mamedov – Guitarra

Evgeny Novikov – Bateria

Jack Simmons – Guitarra

Mikhail Petrov – Baixo

By Thiago Malinowski

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